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'Anjos de branco': Voluntários se dedicam no hospital no pico da pandemia

Com o crescimento no número de doentes, São Paulo recruta voluntários em ação contra Covid-19; saiba como participar
'Anjos de branco': Voluntários se dedicam no hospital no pico da pandemia
Arquivo Pessoal/ Reprodução cnn

'Anjos de branco': Voluntários se dedicam no hospital no pico da pandemia

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São Paulo é o estado brasileiro com o maior número de casos e mortes pelo novo coronavírus e, na tentativa de reverter essa situação alarmante, o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, anunciou uma “operação de guerra”. Além das medidas restritivas, o governo busca o recrutamento de voluntários para atuar, dentro e fora dos hospitais, no enfrentamento da pandemia.

Desde o ano passado, dezenas de pessoas saem de suas casas e deixam suas famílias para atuarem, como voluntários, na linha de frente cuidando de pacientes com Covid-19. A recompensa: carinho, gratidão e reconhecimento.

Joelma dos Santos Eloi é uma das pessoas que realizam este trabalho voluntário, atualmente, ela atua no Hospital Vila Nova Cachoeirinha, na zona Norte de São Paulo.

“Decidi ser voluntária porque sei que a demanda nos hospitais está muito grande, precisando muito de ajuda de nós voluntários. Gostaria muito que as pessoas saíssem de casa para serem voluntários. Eu brinco e converso com meus pacientes, eles dizem que eu sou um anjo de branco no hospital, isso não tem preço. Se eu soubesse que era tão bom, eu tinha feito antes”, diz Joelma.

Voluntária na enfermagem do hospital, Joelma relata que nem todos os momentos são de descontração entre cuidador e paciente e, relembra os momentos de maior emoção no exercício da função.

“Presenciei muitos momentos emocionantes, uma paciente tinha uma vontade imensa de viver, todo dia ela pegava na minha mão e pedia para eu não deixar ela morrer. No dia seguinte cheguei e ela não estava mais lá, ela veio a óbito e isso me deixou muito triste. Tive amigos que morreram de Covid-19, amigos enfermeiros e técnicos”, lamenta.

Jéssica da Cruz Nunes também atua como voluntária em um hospital na zona Norte de São Paulo, a jovem de 23 anos se dedica como nutricionista.

“No começo minha mãe não queria eu fosse, por medo da Covid-19, mas como escolhi a área da saúde não poderia ter medo, pois, se já estivesse atuando (profissionalmente) não iria parar, então decidi começar o voluntário.

Questionada sobre o que a motiva a enfrentar o vírus e se dedicar no hospital voluntariamente, a jovem de 23 anos é enfática: “Vejo que consigo fazer a diferença na vida dos pacientes, isso é o que mais me motiva”, afirma Jéssica.

 

Para a jovem, os momentos mais marcantes deste desafio fazem parte do envolvimento com pacientes mais complexos.

“Quando eu tive a oportunidade de avaliar uma paciente com paralisia cerebral, foi muito desafiador, sempre aprendo algo novo. E tem um paciente que ficou muito tempo internado para conseguir uma cirurgia, às vezes ele queria trocar algo da dieta e eu mudava, ele ficava feliz e sempre falava o quanto a gente fazia a diferença. Nunca vou me esquecer”, diz. 

Luciano Barros é técnico em enfermagem e também atua como voluntário em um hospital. 

“O que mais me motiva é uma simples palavra: ‘Empatia’. O que esperaria se fosse eu no lugar dessa pessoa, o que queria que receber?”, diz o voluntário.

Entre os momentos mais emocionantes no hospital, ele destaca quando ajudou um paciente a se comunicar com familiares que não podiam fazer visitas.

“Um paciente precisava falar com um dos seus familiares, fiz a ligação do meu celular pessoal e eles se falaram por dois minutos, foi um momento muito emocionalmente, pois uma coisa que é simples para a gente, para outra pode ser algo grandioso”.

Sobre o medo, o voluntário acredita que a técnica pode protegê-lo de possíveis contaminações. “Acredito que neste período as pessoas ficam mais tomadas pelo medo do desconhecido, mas se estudei e me comprometi a estar nesse meio, o que me resta é encarar, usar a técnica e me proteger”.

 

Quer ser voluntário? Saiba como:

A ação é dividida em duas frentes, uma delas contempla os estudantes da área da saúde, como medicina, análises clínicas, farmácia, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, assistência social, nutrição entre e outros, e faz parte do Projeto de Voluntariado Acadêmico da Área das Ciências da Saúde.

Profissionais da área da saúde interessados em voluntariar em hospitais no estado de São Paulo também poderão auxiliar nesta ação emergencial. Para isso, o governo acionou os Conselhos das categorias de Saúde para incentivar os profissionais de cada área. 

Entretanto, quem não for da área da saúde e quiser contribuir no enfrentamento ao vírus, pode se inscrever no Programa de Apoio ao Voluntariado do Estado de SP, conforme explicou o governo estadual à CNN.

“Este programa foi criado para que todas as pessoas, independente da formação, possam atuar nas unidades de referência da doença. Os candidatos poderão atuar em diversas áreas, como administrativas, na entrega de medicamentos, na recepção, entre outros”. 

Para participar, os voluntários precisam ter entre 18 e 59 anos, ou seja, que não façam parte do grupo mais afetado pelo vírus, além de não apresentarem doenças que são incluídas aos grupos de risco. 

“Os projetos têm o intuito de fortalecer em caráter complementar e provisório a força de trabalho em unidades da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo durante a permanência das ações do Covid-19”, destaca o governo.

As orientações para os voluntários dispostos a contribuírem na ação emergencial estão disponibilizadas em um edital e dúvidas podem ser enviadas ao e-mail  voluntarioses@saude.sp.gov.br.

Covid-19 em São Paulo

Até esta segunda-feira (15) o estado de São Paulo havia registrado 64.223 mortes e 2.208.242 casos do novo coronavírus. 

O estado registrou o maior número de pacientes internados pela Covid-19 em toda a pandemia: são 24.285 pessoas, sendo 10.507 em UTIs e 13.778 em enfermaria.

É o segundo dia consecutivo que o número de pacientes em UTI ultrapassa a marca de dez mil, após aumentos sucessivos na última semana. As taxas de ocupação dos leitos de UTI, até esta segunda-feira, eram de 90,5% na Grande São Paulo e 89% no estado.

Atualmente, os 645 municípios paulistas têm pelo menos uma pessoa infectada, sendo 631 com um ou mais óbitos. 

 

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São Paulo é o estado brasileiro com o maior número de casos e mortes pelo novo coronavírus e, na tentativa de reverter essa situação alarmante, o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, anunciou uma “operação de guerra”. Além das medidas restritivas, o governo busca o recrutamento de voluntários para atuar, dentro e fora dos hospitais, no enfrentamento da pandemia.

Desde o ano passado, dezenas de pessoas saem de suas casas e deixam suas famílias para atuarem, como voluntários, na linha de frente cuidando de pacientes com Covid-19. A recompensa: carinho, gratidão e reconhecimento.

Joelma dos Santos Eloi é uma das pessoas que realizam este trabalho voluntário, atualmente, ela atua no Hospital Vila Nova Cachoeirinha, na zona Norte de São Paulo.

“Decidi ser voluntária porque sei que a demanda nos hospitais está muito grande, precisando muito de ajuda de nós voluntários. Gostaria muito que as pessoas saíssem de casa para serem voluntários. Eu brinco e converso com meus pacientes, eles dizem que eu sou um anjo de branco no hospital, isso não tem preço. Se eu soubesse que era tão bom, eu tinha feito antes”, diz Joelma.

Voluntária na enfermagem do hospital, Joelma relata que nem todos os momentos são de descontração entre cuidador e paciente e, relembra os momentos de maior emoção no exercício da função.

“Presenciei muitos momentos emocionantes, uma paciente tinha uma vontade imensa de viver, todo dia ela pegava na minha mão e pedia para eu não deixar ela morrer. No dia seguinte cheguei e ela não estava mais lá, ela veio a óbito e isso me deixou muito triste. Tive amigos que morreram de Covid-19, amigos enfermeiros e técnicos”, lamenta.

Jéssica da Cruz Nunes também atua como voluntária em um hospital na zona Norte de São Paulo, a jovem de 23 anos se dedica como nutricionista.

“No começo minha mãe não queria eu fosse, por medo da Covid-19, mas como escolhi a área da saúde não poderia ter medo, pois, se já estivesse atuando (profissionalmente) não iria parar, então decidi começar o voluntário.

Questionada sobre o que a motiva a enfrentar o vírus e se dedicar no hospital voluntariamente, a jovem de 23 anos é enfática: “Vejo que consigo fazer a diferença na vida dos pacientes, isso é o que mais me motiva”, afirma Jéssica.

 

Para a jovem, os momentos mais marcantes deste desafio fazem parte do envolvimento com pacientes mais complexos.

“Quando eu tive a oportunidade de avaliar uma paciente com paralisia cerebral, foi muito desafiador, sempre aprendo algo novo. E tem um paciente que ficou muito tempo internado para conseguir uma cirurgia, às vezes ele queria trocar algo da dieta e eu mudava, ele ficava feliz e sempre falava o quanto a gente fazia a diferença. Nunca vou me esquecer”, diz. 

Luciano Barros é técnico em enfermagem e também atua como voluntário em um hospital. 

“O que mais me motiva é uma simples palavra: ‘Empatia’. O que esperaria se fosse eu no lugar dessa pessoa, o que queria que receber?”, diz o voluntário.

Entre os momentos mais emocionantes no hospital, ele destaca quando ajudou um paciente a se comunicar com familiares que não podiam fazer visitas.

“Um paciente precisava falar com um dos seus familiares, fiz a ligação do meu celular pessoal e eles se falaram por dois minutos, foi um momento muito emocionalmente, pois uma coisa que é simples para a gente, para outra pode ser algo grandioso”.

Sobre o medo, o voluntário acredita que a técnica pode protegê-lo de possíveis contaminações. “Acredito que neste período as pessoas ficam mais tomadas pelo medo do desconhecido, mas se estudei e me comprometi a estar nesse meio, o que me resta é encarar, usar a técnica e me proteger”.

 

Quer ser voluntário? Saiba como:

A ação é dividida em duas frentes, uma delas contempla os estudantes da área da saúde, como medicina, análises clínicas, farmácia, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, assistência social, nutrição entre e outros, e faz parte do Projeto de Voluntariado Acadêmico da Área das Ciências da Saúde.

Profissionais da área da saúde interessados em voluntariar em hospitais no estado de São Paulo também poderão auxiliar nesta ação emergencial. Para isso, o governo acionou os Conselhos das categorias de Saúde para incentivar os profissionais de cada área. 

Entretanto, quem não for da área da saúde e quiser contribuir no enfrentamento ao vírus, pode se inscrever no Programa de Apoio ao Voluntariado do Estado de SP, conforme explicou o governo estadual à CNN.

“Este programa foi criado para que todas as pessoas, independente da formação, possam atuar nas unidades de referência da doença. Os candidatos poderão atuar em diversas áreas, como administrativas, na entrega de medicamentos, na recepção, entre outros”. 

Para participar, os voluntários precisam ter entre 18 e 59 anos, ou seja, que não façam parte do grupo mais afetado pelo vírus, além de não apresentarem doenças que são incluídas aos grupos de risco. 

“Os projetos têm o intuito de fortalecer em caráter complementar e provisório a força de trabalho em unidades da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo durante a permanência das ações do Covid-19”, destaca o governo.

As orientações para os voluntários dispostos a contribuírem na ação emergencial estão disponibilizadas em um edital e dúvidas podem ser enviadas ao e-mail  voluntarioses@saude.sp.gov.br.

Covid-19 em São Paulo

Até esta segunda-feira (15) o estado de São Paulo havia registrado 64.223 mortes e 2.208.242 casos do novo coronavírus. 

O estado registrou o maior número de pacientes internados pela Covid-19 em toda a pandemia: são 24.285 pessoas, sendo 10.507 em UTIs e 13.778 em enfermaria.

É o segundo dia consecutivo que o número de pacientes em UTI ultrapassa a marca de dez mil, após aumentos sucessivos na última semana. As taxas de ocupação dos leitos de UTI, até esta segunda-feira, eram de 90,5% na Grande São Paulo e 89% no estado.

Atualmente, os 645 municípios paulistas têm pelo menos uma pessoa infectada, sendo 631 com um ou mais óbitos. 

 

Fonte

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