O salário mínimo no Brasil deveria ser de R$ 8.110,92 em junho de 2026 para garantir as necessidades básicas de uma família de no mínimo quatro pessoas. O valor foi calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e corresponde a cerca de cinco vezes o valor do salário atual de R$ 1.621.
O cálculo segue o que determina a Constituição Federal: o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir despesas básicas como: alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência social.
Em junho de 2026, o salário mínimo necessário para garantir as despesas deveria ser de R$ 8.110,92, o equivalente a cinco vezes o piso nacional atual. Em maio, este valor estimado era de R$ 7.999,44, ou 4,93 vezes o salário mínimo. Já em comparação ao mesmo período de 2025, o mínimo necessário foi calculado em R$ 7.416,07, o equivalente a 4,89 vezes o piso da época, que era de R$ 1.518.
Como esse valor é calculado?
O Dieese utiliza como base o custo da cesta básica mais cara entre as capitais pesquisadas. Com a parceria da Conab, o levantamento passou a abranger as 27 capitais brasileiras, ampliando o retrato do custo de vida no país.
A partir da cesta mais cara, o departamento estima quanto uma família formada por dois adultos e duas crianças precisaria para manter um padrão mínimo, considerando todas as despesas essenciais previstas na Constituição.
Cesta básica continua aumentando
O aumento do salário mínimo ideal acompanha a alta dos alimentos. Em junho, o custo da cesta básica subiu em 17 das 27 capitais, enquanto outras dez registraram queda.
As maiores altas do mês foram registradas em:
- Boa Vista (3,28%);
- Palmas (3,01%);
- Rio Branco (2,20%);
- Porto Alegre (2,18%).
Já São Paulo voltou a ter a cesta básica mais cara do país, custando R$ 965,47. Em seguida aparecem Cuiabá (R$ 937,93), Rio de Janeiro (R$ 920,94) e Florianópolis (R$ 918,42).
Na outra ponta, os menores valores foram registrados em Aracaju (R$ 630,40), São Luís (R$ 654,73), Maceió (R$ 671,41) e Natal (R$ 696,08).
No primeiro semestre de 2026, todas as capitais tiveram alta, com destaque para Fortaleza, onde a cesta básica ficou 21,48% mais cara.
Mais da metade do salário vai para a alimentação
Se o salário mínimo já parece apertado, os números ajudam a explicar o motivo. Contando com desconto de 7,5% da Previdência Social, o trabalhador precisou destinar, em média, 52,02% da sua renda líquida apenas para comprar os produtos da cesta básica em junho. No mesmo período do ano passado, esse percentual era de 51,13%, mostrando que o peso da alimentação aumentou.
Na prática, isso significa que mais da metade do salário vai embora somente com a compra de alimentos, antes mesmo de pagar aluguel, transporte, contas de água, luz, internet ou medicamentos.
O tempo médio de trabalho necessário para comprar a cesta básica também aumentou e chegou a 105 horas e 51 minutos.
Os moradores de São Paulo foram os que mais precisaram trabalhar para adquirir os alimentos básicos, com 131 horas e 2 minutos, seguidos por Cuiabá (127h17) e Rio de Janeiro (124h59). Já Aracaju registrou a menor jornada, com 85 horas e 34 minutos.
Ranking completo: tempo de trabalho necessário para comprar a cesta básica junho/2026
- São Paulo (SP): 131 horas e 2 minutos;
- Cuiabá (MT): 127 horas e 17 minutos;
- Rio de Janeiro (RJ): 124 horas e 59 minutos;
- Florianópolis (SC): 124 horas e 39 minutos;
- Porto Alegre (RS): 120 horas e 44 minutos;
- Campo Grande (MS): 114 horas e 50 minutos;
- Vitória (ES): 114 horas e 33 minutos;
- Curitiba (PR): 114 horas e 23 minutos;
- Belo Horizonte (MG): 112 horas e 12 minutos;
- Fortaleza (CE): 111 horas e 37 minutos;
- Goiânia (GO) : 111 horas e 27 minutos;
- Brasília (DF): 108 horas e 41 minutos;
- Palmas (TO): 1 07 horas e 15 minutos;
- Belém (PA): 103 horas e 4 minutos;
- Boa Vista (RR): 102 horas e 13 minutos;
- Teresina (PI): 100 horas e 6 minutos;
- Manaus (AM): 99 horas e 28 minutos;
- Macapá (AP): 97 horas e 22 minutos;
- Rio Branco (AC): 95 horas e 35 minutos;
- Recife (PE): 95 horas e 5 minutos;
- Porto Velho (RO): 94 horas e 44 minutos;
- Salvador (BA): 94 horas e 29 minutos;
- João Pessoa (PB): 93 horas e 38 minutos;
- Natal (RN): 93 horas e 7 minutos;
- Maceió (AL): 91 horas e 7 minutos;
- São Luís (MA): 88 horas e 52 minutos;
- Aracaju (SE): 85 horas e 34 minutos.
Feijão lidera aumento dos preços
Entre os produtos que mais pesaram no bolso do consumidor em junho, o principal destaque foi o feijão.
O feijão carioca ficou mais caro em todas as capitais pesquisadas, influenciado por problemas climáticos e pela redução da área plantada. Em Manaus, por exemplo, a alta chegou a 18,92% no mês. No acumulado de 12 meses, o produto registra aumento de 70,95% em Goiânia.
O feijão preto também subiu em todas as cidades analisadas, com destaque para Vitória, onde o aumento foi de 12,22%.
Além dele, outros alimentos também pressionaram o orçamento das famílias:
- carne bovina de primeira, que teve alta em 19 capitais, chegando a 3,10% em Boa Vista;
- leite integral, que ficou mais caro em 16 cidades, com destaque para São Luís (5,39%).
Alguns produtos aliviaram o bolso
Nem tudo ficou mais caro em junho. O café em pó registrou queda em 25 capitais, favorecido pelo avanço da colheita da safra 2026/2027. O açúcar também ficou mais barato em 25 cidades graças ao aumento da moagem da cana-de-açúcar.
O óleo de soja apresentou redução em 24 capitais devido ao aumento da oferta, enquanto o arroz agulhinha recuou em parte das cidades com o avanço da colheita, embora o dólar elevado e o ritmo das exportações tenham limitado quedas maiores.
Mesmo com esse alivio de alguns produtos, o levantamento mostra que o custo da alimentação continua crescendo e segue comprometendo uma parte significativa da renda dos brasileiros. Na avaliação do Dieese, o salário mínimo atual ainda está distante do valor necessário para garantir as despesas básicas previstas na Constituição.

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